ACAMSOP/M-14 inicia debate sobre usinas do Chopim
30 out

Mais de 400 ribeirinhos participaram da audiência pública em Pato Branco.
Aconteceu no dia 16 de outubro, audiência para discutir a situação dos ribeirinhos do Rio Chopim, possíveis atingidos pela construção de duas das 12 prováveis barragens ao longo do rio. A ACAMSOP/M-14, em conjunto com a Frente Parlamentar de Aproveitamento dos Potenciais Hidroenergéticos, presidida pelo Deputado Estadual Tadeu Veneri, a Comissão de Agricultura, presidida pela Deputada Estadual Luciana Rafagnin, Promotoria Pública dos municípios de Mangueirinha e Clevelândia, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), iniciaram as discussões, já que as outras seis audiências públicas não se realizaram por falta de informações e documentos. O evento foi realizado no Centro Regional de Eventos, em Pato Branco.
O presidente da ACAMSOP/M-14, Rovanir José Noll, falou aos presentes e afirmou o compromisso da entidade em lutar pelo desenvolvimento do sudoeste, mas acima de tudo está o bem estar da população dos municípios atingidos. “Acredito que todos que estão aqui hoje são favoráveis ao desenvolvimento regional, ninguém aqui está se colocando contrário à construção das usinas, desde que estas não afetem a vida das pessoas envolvidas, devemos acima de tudo preservar a dignidade do cidadão e da forma como está sendo tratado o assunto pela empresa Gerdau, que alias, nem se faz presente ao debate, demonstra o pouco interesse em esclarecer como serão feitas as indenizações, a questão dos assentamentos. Os atingidos devem e serão ouvidos pelas autoridades, pois não se pode simplesmente chegar e avisar que saiam de suas terras, pagar o que bem entender e está tudo certo, o Brasil tem uma dívida social com mais de 700 mil famílias atingidas por barragens, o presidente Lula já sinalizou que não terminará seu mandato sem ao menos tentar “saldar” esta dívida social. Importante agora é tentar saber dados, informações precisas sobre a real situação das terras e evitar que o número de famílias expulsas de suas terras aumentem”.
Prioridades
O Deputado Estadual Tadeu Veneri, afirmou para a platéia de mais de 400 pessoas. “Quem vai construir estas usinas terá de pagar tudo direitinho, terá a responsabilidade de assentar as famílias atingidas dentro do próprio município, caso contrário não tem usina. Fala-se muito na geração de empregos que uma obra destas irá propiciar, cerca de 3 mil pessoas durante a obra, mas esquecem de avisar ao povo que ao termino das obras, estes 3 mil trabalhadores estarão sem emprego, possíveis moradores das periferias destas cidades, aumentando o caos urbano. Uma usina hidrelétrica de pequeno porte como estas não necessitam de muitos funcionários para operá-las, podendo até mesmo serem operadas a distância, significando que o discurso sobre aumento da oferta de empregos é tudo história”. Tadeu Veneri ainda citou a usina de Salto Segredo, afirmando que esta ainda não resolveu os problemas de indenizações.
A Deputada Estadual Luciana Rafagnin, também mostrou preocupação quando o assunto são indenizações e reassentamentos, ainda mais quando se tratam de famílias de pequenos agricultores. “A grande maioria destas famílias são de agricultores familiares e isto está preocupando não só este grupo que está aqui reunido, mas também o presidente Lula se mostra preocupadíssimo, ele afirmou que não aceita que mais famílias passem pelo que já passaram estas mais de 700 mil aqui citadas. Ninguém aqui está contra a construção destas pequenas usinas, mas o fato é que tudo deve ser feito de forma transparente e com o consentimento da grande maioria, para tanto o MAB está organizando estas famílias, pois é necessário que entendam o que está acontecendo, saibam o que e como reivindicar seus direitos”.
Organização
O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), demonstra muita preocupação ao falar em construção de usinas, desapropriações e indenizações. Robson Formica, um dos coordenadores do movimento, comentou sobre a falta de consciência e coerência das empresas que querem apenas ganhar dinheiro. “Empresas como a Gerdau demonstram pouco interesse, não estão preocupados com a situação destas famílias, eles querem apenas energia barata para suas siderúrgicas, se as famílias terão ou não um teto, uma área de terra igual a que tinham para plantar, não vem ao caso, o importante é pensar no lucro que terão. Esta “novela” já é conhecida nossa, o MAB acompanha e luta como um movimento social há muitos anos, o discurso do crescimento e desenvolvimento dos municípios atingidos já é conhecido nosso, mas depois de conseguirem o que querem, esquecem de tudo e de todos, deixam que seus grandes advogados “briguem” na justiça com os pequenos agricultores atingidos, estes por falta de conhecimento, pouco poder financeiro, por vezes nem chegam a entrar com ações, perdem tudo calados, choram com suas famílias a perda do chão que conquistaram com tanto suor e lágrimas, mas isto, isto pouco importa para empresas como a Gerdau, o importante é o lucro que terão com esta energia barata”.
Gerdau
Procurados pelo jornalista JR Silva, a Gerdau através da sua assessoria de comunicação emitiu uma nota explicando:
“A Gerdau esclarece que mantém uma política de relacionamento com os movimentos e entidades pautada pelo respeito à liberdade de expressão e o diálogo aberto e transparente, buscando sempre um caminho que concilie o interesse comum e gere ganhos mútuos”.

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