ainda havia tempo…

5 out

Eu ainda estava lá dentro em um canto da sala quando as rajadas de vento começaram, você acabara de me ligar dizendo que estava chegando para passarmos o final de semana junto.

O primeiro ao qual eu tinha oportunidade de desfrutar ao seu lado, foram meses e meses de angústia, nem sei bem ao certo se você ainda gostava de mim ou se algo de bom iria acontecer.

Estava empolgado, ansioso e começava agora a sentir calafrios, algo não estava bem, um pressentimento estranho apertava meu peito.

A chuva começava lá fora, ainda fraca, mas intensa, relâmpagos a todo o momento apareciam sem dar descanso, o céu parecia que ia cair sobre minha cabeça, e eu pensava agora onde você estava, por que estava demorando tanto para chegar? Eram apenas alguns quarteirões de distância.

Na televisão passava um clipe antigo que não chamou muito minha atenção, e o telefone que tocava no outro cômodo da casa, eu sequer consegui ouvir, não por não estar atento, mas pelo momento que se passava, eram poucos minutos até você chegar, abrir a porta e na pior das hipóteses, se atirar em meus braços.

A chuva agora estava extremamente forte, e as rajadas de vento que antes não botavam medo, agora eram medonhas, cadê você? Meu deus eu não sabia o que fazer!

Meia hora havia se passado desde que a chuva começara e um pouco mais do último contato que tive com você por telefone, eu estava ficando impaciente.

Peguei o celular, insistentemente e com as mãos trêmulas tentava discar seu número, caixa postal era a única coisa que aquele celular dizia para mim.

A chuva começava a diminuir e os ventos começavam a se acalmar, parecia que a tempestade que da mesma forma repentina e brusca chegou, estava indo embora, mas você ainda não havia chegado, eu não sabia o que fazer.

Perguntei-me o que seria melhor, esperar ou ir até ver onde você e poderia estar.

Sem pensar duas vezes saí porta a fora correndo até onde você morava, eram apenas alguns quarteirões, como já havia mencionado, podia ter pego o carro, mas com a chuva intensa, o trânsito devia estar um caos e não teria paciência para esperar.

Corri, tropecei inúmeras vezes e nem notei os cortes que os galhos de árvore faziam em minhas pernas, eu estava quase chegando, eram só mais duas quadras até sua casa de dois andares, amarela, ainda lembro como se fosse ontem, quando à deixei no  portão pela primeira vez.

Mais alguns metros de corrida e finalmente havia chegado, toquei a campainha e ninguém atendeu, insistia em tocá-la, mas era inútil, ninguém veio atender, afobado entrei na sua casa, e ao tocar a porta eu percebi que algo não estava bem, entreaberta apenas empurrei, subindo degrau por degrau, sentia que estava a poucos metros de algo que talvez nunca quisera saber.

E chegando no seu quarto pude perceber que o tempo que demorei, foi o suficiente pra notar que nunca mais poderia lhe ter…

One Response to “ainda havia tempo…”

  1. mayara 06. out, 2009 at 13:00 #
    gostei ;D

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