Coração do Brasil, sempre cabe mais um
16 out
29 set
Na madrugada curitibana, com uma incansável chuvinha fria, parece que o ímpeto escritor me vem à pele. Tantas coisas passam pela cabeça nessas horas que é até difícil selecionar palavras. Quero dizer tanto, mas é impossível fazer essa compilação em um só texto. No momento, aproveitando o ar melancólico da insistente chuvinha, gostaria de falar, não obstante, da melancolia mesmo: do melancólico dia a dia, da melancólica saúde, da melancólica política, da melancólica, enfim, vida. O esmero de outrora parece estar numa palidez crônica. O almoço corrido, o emprego corrido, o olhar corrido, o prazer esquecido. É preciso mais atenção a tudo que está ao nosso redor e absorver levemente. É óbvio que às vezes dá vontade de bater naquele colega de trabalho; às vezes dá uma vontade de sair gritando e mandando todo mundo pro inferno. Mas esse tipo abrupto de reação deve ser sempre evitado. Somos seres evoluídos. Já dizem alguns por aí que “O grito vem quando a palavra acaba”. Realmente. O segredo é calma e bom humor.
Se o dia foi uma bosta, chegue em casa e desenhe uma bosta. Se alguma coisa te irritou ou te deixou pra baixo, pegue uma caixinha de leite condensado e vire guela a baixo. Se, por ironia do destino, você for para um show de rock e acabe caindo numa festa sertaneja, coloque um chapéu e cante todas as de Goiás. Tomara que muitas pessoas leiam esse texto. Principalmente algumas que andam gritando ao meu ouvido, que andam estressadas ao meu lado. Se a carapuça servir…
19 set
Momento confuso, obtuso, maluco.
Tipo caduco, tipo em vão.
Momento de angústia, sem astúcia, sem um chão.
10 set
Pra começar, já vou dormir mal humorado. Acordo às 6 da matina, num muquifo fedorento, tendo que me apressar, pois o ônibus passa às 6h30, num ponto a duas quadras de casa. “Por que não acorda mais cedo?”, minha mulher me pergunta. Digo que não quero.
Tá doido. Já não basta acordar a essa hora, trabalhar num emprego de merda. Arrumo-me na correria, mas pelo menos tenho alguns minutos a mais de sono. A caminho do serviço, milhares de coisas me vêm à cabeça: contas que pesam sobre meu nome, reunião da escola do meu filho – que nem mora comigo; a pensão também já está vencendo. Também preciso passar no mercado, depois do expediente, e comprar um monte de frescuras, que minha mulher anotou num papel. Falando nisso, nem sei onde tá esse papel. É tanta coisa. É tanto problema. Inclusive, há alguns dias venho sofrendo de uma dor na coluna. Fui no médico. Sim, tive que ir. Ele me disse que preciso corrigir minha postura. Mais essa, preciso me preocupar com minha postura. O que mais preciso lembrar?
8 set
Estava tudo certo. Pelo menos João achava que estava. Enquanto ele aguardava Maria, sentado na cadeira dum bar, ela ainda estava deslizando o baton pelos lábios; estava em casa e sem muita pressa. João já havia bebido dois drinks e ligeiramente acenava pro garçom trazer o terceiro. Haviam marcado o encontro para às 22h. Já eram quase 22h30. Mas tudo bem, ele pensava: “Ela deve estar chegando. Mulher sempre se atrasa”. Maria estava agora quase pronta, apenas ajeitava o cabelo com a ponta dos dedos, enquanto tentava se lembrar onde havia deixado a chave do carro. João, irrequieto, ia ao banheiro verificar se o visual estava atraente. Maria apagava a luz do quarto; a chave do carro estava no bolso da calça, lembrava ela, achando graça da própria distração.
João e Maria trabalhavam juntos em uma grande empresa. Os dois tinham cargos similares: ele tinha a função de contratar, enquanto ela a de demitir. Mantinham um relacionamento bem amistoso dentro da empresa. Trabalhavam diretamente com o chefe. Ela sempre tratou João com uma aversão velada, mas com muito respeito. Já João a secava. Por momentos, acreditava que ela poderia estar interessada por ele.
O enconto, na verdade, fora marcado por ela. João adorou a ideia, pois sempre manteve uma atração distinta por sua companheira de trabalho. Já ela, com seu ar de imponência – linda que era, não demonstrava muito afeto por ninguém. João imaginava que hoje era o seu dia de sorte.
Maria, já a caminho do bar, pega o celular da bolsa e liga para o chefe: “Encontro você às 23h30, no mesmo lugar de sempre. Apenas vou passar num bar, comprar cigarro e falar para o João que ele está demitido”. O chefe ri por um instante e responde, num tom de voz ameno: “Você sempre maldosa, né? Assim que eu gosto”.
O João? Já estava no quarto drink, cheio, cheio de esperanças…
6 jul

“…É descortinando ideias malucas e cruas que um bom livro sai da cabeça.
4 jul
Teremos, em breve, o primeiro pato da história a ter um casamento badaladíssimo pela mídia.
É, meu amigo Patinhas, somos todos patinhos feios, enquanto um apenas se deu bem.
3 jul
Meu caro amigo Donald, realmente nosso país passa por um momento inerte em relação à manifestações. Digo manifestações de verdade. Hoje, parece que manifestação é sinônimo de status, ou seja, mais twittadas, que consequentemente, faturam mais seguidores.
Foi-se o tempo das Diretas Já!
Sair às ruas pra quê, se eu tenho internet!
É de se pensar, né?
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