Distante assim…
1 out
Já estava quase amanhecendo o dia e eu ainda não havia conseguido pregar os olhos por um minuto sequer.
As palavras que na noite anterior haviam por você sido proferidas, ainda martelavam em meu pensamento.
Cada gesto seu, cada palavra, cada lágrima derramada, persistia em manter-se intacta na parte mais profunda da minha mente.
Eu tive algumas oportunidades de tocar seu coração, porém não fui capaz, faltou coragem, vontade, ou talvez sobrasse medo do arrependimento posterior.
E naquela época tudo que eu mais queria era ter você junto de mim, deitada em meu colo para eu lhe fazer cafuné e ver você dormir, mas óbvio, não fui adiante.
Hoje então tinha que carregar comigo isso e não havia forma de se mudar , o passado é imutável, mas o futuro pode ainda ser escritos por nós, ou na pior das hipóteses por eu e você, distintamente.
Não há forma certa de dizer, pensar ou agir, ainda estou aqui me virando de um ladro pro outro da cama e não consigo dormir.
Você insiste em não sair da minha mente e isso está já se aproximando de obsessão, doentia ou não, eu não sei dizer, não tem como explicar, e, por mais que você ou alguém tente, jamais irão compreender.
Estou aqui agora aos prantos me culpando por mais um fracasso, olhos inchados, olheiras profundas e cabelo espantado.
Está na hora de eu me arrumar para mais um dia estressante.
Levanto agora então, me troco, tomo café, estou pronto! Não que meus olhos inchados tivessem melhorado, minhas olheiras sumidos ou meu cabelo precisamente arrumado, mas estava atrasado e precisava correr, então adeus!
Uma última olhada na sua foto na cabeceira de minha cama e PUFT!
Tudo perfeito, o dia inteiro com a imagem do seu lindo sorriso em meu pensamento.
Era o que eu precisava por ora, não que fosse suficiente, mas já ajudava e até a noite eu ainda poderia fingir como sempre que seria capaz de viver feliz com você longe de mim.

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