Sindromina no jornal
28 dez
Entre sorrisos sinceros e contagiantes, a noite pato-branquense do dia 11 de dezembro contou com um evento peculiar: o lançamento da terceira edição da revista Sindromina. A festa, que começou na Livraria Babel com a voz e o vilão de Márcio Koth, posteriormente se estendeu ao Bar El Pancho, animado por ele e sua banda Jardim Elétrico. Para os amantes do rock, uma boa opção, já que a Jardim tornou-se lendária na cidade.
Familiares e amigos prestigiaram a comemoração. Entre eles, o estudante de psicologia Júlio Cesar de Lima, que saiu de Irati pela manhã e chegou a Pato Branco de uma maneira um tanto incomum: de carona, abaixo de chuva. E é justamente tal idéia de desapego que coincide com a proposta dessa edição, com o tema “Mochilão, Caronas e Lugares Inusitados”. A propósito, Júlio é um dos participantes da Sindromina, com seu texto Uma semana de vida(s). Além de grande parte da equipe, amigos de cidades próximas também estiveram presentes.
“Um dos medos era que poucas pessoas comparecessem ao bar, já que a divulgação impressa foi realizada com pouco prazo, apenas dois dias de antecedência. Porém, a internet foi de grande importância, com divulgação em peso e feita desde que fechamos a data. A chuva também poderia ter atrapalhado, mas mesmo assim enchemos o bar”, conta o idealizador do projeto, Rodrigo Mello Campos.
A festa agradou a muitos roqueiros. Um deles é o estudante de Direito Eduardo Cadorin (Pite), que elogiou a iniciativa. “Além da Jardim Elétrico, o Beto de Bortoli [baixista] chamou os companheiros da antiga banda Eu e Mais Dois e deram uma palinha. Foi demais”, relata.
Voz dissonante
Acompanhei a trajetória – e também a evolução do projeto – de perto. Tudo começou em 2007, quando o desenhista Rodrigo decidiu transformar sua idéia em algo concreto. A edição inaugural possuía um caráter experimental e simples. Já na segunda, os colaboradores aumentaram, embora seguindo a mesma linha. Particularmente, é a que desperta um lado mais dramático e sentimental.
Na edição atual, a ampliação do número de páginas e de pessoas que contribuíram é significativa: ao todo, foram 16 adeptos. O material, que conta com história em quadrinhos, entrevistas, fotografias, poemas e narrativas, é produzido por quem mora ou então nasceu no sudoeste paranaense. As entrevistas, por exemplo, são com o músico Renato Ladeira, que já integrou as bandas A Bolha, Bixo da Seda e Herva Doce; e com o repórter fotográfico Leandro Taques, que inclusive nasceu em Pato Branco. Com um toque rock’n’roll, a publicação compõe um cenário incomum para os padrões habituais. Criativa e ao mesmo tempo irônica, Sindromina pode ser considerada inovadora para a região.
Confeccionada de maneira independente desde o início, quando era apenas um gibi, atualmente é composta por outros ramos artísticos. “Um dos objetivos é difundir as manifestações culturais alternativas da região. Agora, várias visões de mundo, especialmente do pessoal mais ‘fora-da-casinha’, tiveram espaço”, expõe Rodrigo.
Uma das referências desse trabalho é a literatura beat, que se desenvolveu na década de 50 e inspirou vários movimentos, como a música folk. “O escritor Jack Kerouac retrata bem esse estilo de vida nômade e libertário. O Bob Dylan foi bastante influenciado por essa literatura e eu me baseei nisso, tanto que a letra de uma música cantada por ele está presente na história em quadrinhos”, explana o organizador.
Espaço livre
Um exemplo da diversidade de setores criativos envolvidos na terceira edição é a acadêmica de Moda Mara Neris, que participou com o texto Imagem Ambulante e algumas ilustrações. Para ela, a revista é uma porta de divulgação de idéias e de arte através da qual pôde expressar um sentimento que em outros veículos talvez não tivesse chance.
A partir do contraste entre a personagem Sindromina (que originou todo o projeto em 2007), e a Betty Banana, inventada por Mara, percebemos “uma crítica sobre a ditadura da beleza e o estereótipo da ‘fashionista’ alienada”. Esta, preocupada com grifes e aparências; aquela, autêntica e irreverente.
Entretanto, a acadêmica acredita que ainda existam certos tabus – provenientes de uma cultura repressora – a serem superados com relação a esse tipo de material. “Isso muda a passos de formiga, mas ao menos hoje a revista é encarada de forma meio marginalizada e sem valor cultural para muitas pessoas”, lamenta.
De qualquer maneira, Mara demonstra entusiasmo ao falar da publicação: “O projeto me chama muito a atenção pelo cunho underground mesmo, pela independência… Enfim, pela proposta de liberdade que talvez nem esteja tão explícita pra muita gente, mas que pra mim é visível”.
Lançando idéias
Em breve, outras mudanças devem acontecer com a revista Sindromina: a intenção é que a regularidade passe a ser semestral, e não mais anual. Para tal, deve haver um grupo fixo que produza o material e os demais colaboradores que enviem seus conteúdos. O próximo lançamento está previsto para a metade de 2010. Portanto, se você tem interesse, entre em contato através do e-mail rodrigomellocampos@hotmail.com
Serviço:
A Sindromina 3 está a venda nas livrarias Babel e Letra ou com os integrantes da equipe por R$ 2,99.
Gabriela Luisa Titon acadêmica de Jornalismo da Unicentro
www.gabrielatiton.blogspot.com
Fotografia Leonardo de Paula
*publicado no Almanaque Cultural – anexo ao jornal Diário do Sudoeste – no dia 24/12/09


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