Charme sádico
8 set
Estava tudo certo. Pelo menos João achava que estava. Enquanto ele aguardava Maria, sentado na cadeira dum bar, ela ainda estava deslizando o baton pelos lábios; estava em casa e sem muita pressa. João já havia bebido dois drinks e ligeiramente acenava pro garçom trazer o terceiro. Haviam marcado o encontro para às 22h. Já eram quase 22h30. Mas tudo bem, ele pensava: “Ela deve estar chegando. Mulher sempre se atrasa”. Maria estava agora quase pronta, apenas ajeitava o cabelo com a ponta dos dedos, enquanto tentava se lembrar onde havia deixado a chave do carro. João, irrequieto, ia ao banheiro verificar se o visual estava atraente. Maria apagava a luz do quarto; a chave do carro estava no bolso da calça, lembrava ela, achando graça da própria distração.
João e Maria trabalhavam juntos em uma grande empresa. Os dois tinham cargos similares: ele tinha a função de contratar, enquanto ela a de demitir. Mantinham um relacionamento bem amistoso dentro da empresa. Trabalhavam diretamente com o chefe. Ela sempre tratou João com uma aversão velada, mas com muito respeito. Já João a secava. Por momentos, acreditava que ela poderia estar interessada por ele.
O enconto, na verdade, fora marcado por ela. João adorou a ideia, pois sempre manteve uma atração distinta por sua companheira de trabalho. Já ela, com seu ar de imponência – linda que era, não demonstrava muito afeto por ninguém. João imaginava que hoje era o seu dia de sorte.
Maria, já a caminho do bar, pega o celular da bolsa e liga para o chefe: “Encontro você às 23h30, no mesmo lugar de sempre. Apenas vou passar num bar, comprar cigarro e falar para o João que ele está demitido”. O chefe ri por um instante e responde, num tom de voz ameno: “Você sempre maldosa, né? Assim que eu gosto”.
O João? Já estava no quarto drink, cheio, cheio de esperanças…

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